Contos e passagens pelo olhar de um andarilho cibernético. Perspectivas e análises de um mundo em movimento, onde o homem vive em constante conflito com o seu próprio ser.

sexta-feira, setembro 24, 2004

O Brasil é uma m*$%# porque não somos nacionalistas !

O nacionalismo e a segurança

Nos EUA, uma pequena empresa de tecnologia conseguiu desenvolver um identificador eletrônico de impressão digital. Imediatamente, conquistou uma encomenda de US$ 1 milhão do Pentágono.
No Brasil, a pequena Griaule - empresa incubada na Unicamp - desenvolveu um sistema de identificação digital em larga escala, que foi considerado o oitavo melhor do mundo pelo Nist (uma espécie de Inmetro ampliado dos EUA). Foram 30 dias de processamento contínuo nos Estados Unidos, com um sistema de "clusters" cedido pela Itautec.

O que ela ganhou? Nada. A Polícia Federal adquiriu por US$ 39 milhões um sistema francês de identificação digital. Era o módulo inicial, que permite armazenar apenas 5 milhões de digitais. Se quiser estender para o país inteiro, serão mais US$ 500 milhões. Depois da saída de Luiz Eduardo Soares do Ministério da Justiça, há uma orientação para que as polícias de todos os Estados adquiram a solução francesa. É um pálido
exemplo da falta de sintonia entre as políticas industriais do governo e a falta de definição para o sistema de comprase de financiamento.

A Griaule começou seu negócio com um financiamento de R$ 80 mil da Finep - que saiu após dois anos de análise. Desenvolvido o sistema, conseguiu entrar em alguns Estados e vender para empresas privadas. Todo o sistema de identificação digital do Poupatempo é dela, assim como os sistemas de Tocantins e de
outros Estados.

Quando a Polícia Federal abriu a licitação, o sistema nem sequer foi considerado. Queria-se um sistema de Primeiro Mundo. Aí a empresa aproveitou uma ida a Washington, em um evento com o Nist, e apresentou o produto para certificação no FBI. O órgão solicitou os testes ao Nist, e a empresa foi habilitada a fornecer ao FBI. Nem isso demoveu a PF de sua decisão. A
encomenda piloto da PF está sendo transformada, agora, em uma compra quase obrigatória para que as polícias estaduais se integrem ao sistema de segurança único pensado. Todo o sistema de identificação nacional estará dependendo de tecnologia externa.

Como é que se faz? Se se consegue o produto inovador, não há capital de giro. O financiamento para pesquisas ou está disponível para a academia ou para grandes empresas. Adota-se um modelo invertido do poder de compra do Estado. Nos EUA, há uma política para aquisição preferencial de pequenas empresas
sediadas no país. No Brasil, a opção é pelo "Primeiro
Mundo", independentemente da análise técnica dos sistemas nacionais. O nacionalismo não consiste apenas em paradas militares. Há que implementar uma política de compras efetiva. Para evitar o uso de licitações de sistemas para jogadas - como tem ocorrido com
freqüência em quase todos os níveis de governo - , poderia se criar um sistema de certificação, tipo do Nist, a ser aplicado pelo Inmetro. E as empresas nacionais certificadas não poderiam ser alijadas de licitações públicas.

O próprio presidente da República compareceu à solenidade emque a PF inaugurou seu equipamento francês - certamente por falta de informação. Mas é uma prova de que o nacionalismo ainda é uma posição muito mais retórica do que efetiva.
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Fonte: Dicas-L

3 Comentarios:

Anonymous Anônimo filosofou...

Não sou a favor do nacionalismo extremo - prefiro cultivar um patriotismo saudável e crítico, que sabe identificar os problemas e admirar o lado bom. Embora confundam, a questão é semântica: são atitudes completamente diferentes, uma vez que o nacionalismo tende sempre ao fanatismo exacerbado e estúpido, gente que se envolve com a bandeira do Brasil e cospe em tudo o que vem de fora.

Nem tanto a 8, nem tanto a 80.
Beijo.

5:33 PM

 
Blogger CyberCrow filosofou...

Também concordo que não devemos ser nacionalistas extremos, mas se temos mão de obra qualificada e produtos confiávies e de qualidade excepcional em nosso país, porque não investir no mercado interno? Porque ijetar nosso dinheiro lá fora e não aqui dentro?
Não sou contra a importação ou valorização do mercado exterior, sou contra sim a desvalorização e falta de crédito ao mercado interior, que produz muita coisa boa assim como tem muita mão de obra especializada, tanto que faz sucesso lá fora também. Isso mesmo, não temos pessoas brilhantes apenas no futebol !

11:43 AM

 
Anonymous Anônimo filosofou...

O que seria um nacionalismo extremo? Eu às vezes acho que somente o Brasil não é nacionalista ao extremo. Pelo contrário: é internacionalista ao extremo, permitindo que aqui seja a casa da mãe joana... Quem já passou pela experiência de viver ou conhecer outro país sabe do que estou falando. Eles fazem tudo de um jeito que vc perceba que é estrangeiro, que não é de lá, e que aquilo não é a sua realidade ou seu. Aqui, a gente abre as portas e deixa qualquer um dormir na nossa cama. o 1°mundo tb tem os seus problemas, seus medos - taí o Bush que não esconde isso, e suas falhas. Mas é um mundo prepotente, que vende a imagem de que somos fracos e dependemos deles para sermos melhores. Sem querer plagiar a Skol... : Será???
Artigo muito oportuno, e muito decepcionante tb. Um dia, quem sabe, o Brasil aprende a dar valor pro próprio umbigo...
Ganbate kudasai!!!

9:37 AM

 

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